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Aredes .

sou divertida,mas adoro o meu jeito de criança!...

viva num mundo de bom sonhos,onde os pesadelos não existam!...
9月14日

saci-pêrere

   Era uma vez um menino
   que tinha o triste o destino
   de trabalhar para o mal.
   Quebrava louças e troça,
   botava fogo na roça,
   escancarava o curral.
 
   Como Pedro Malasarte,
   era visto em toda parte,
   mas pulando com um pé só.
   Que uma queda na cisterna
   foi que lhe quebrou a perna,
   conforme disse a vovó.
 
   Caiu também na fogueira
   que ele acendeu na capoeira
   numa noite de São João:
   e, mesmo branco que fosse,
   dessa maneira tornou-se
   pretinho como carvão.
 
   Mais veio um dia o castigo
   Desse danado inimigo
   Cominfernal frenesi.
   Para o sossego da gente,
   Ele virou, de repente,
   No passarinho saci.
 
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De volta

  Minha terra... Ai com que abalo,
  Com que sincera emoção,
  Eu, dando rédea ao cavalo,
  Margeio este fundo valo
 _caminho do meu torrão.
 
  Tudo no ar, festa e brilho!
  E é com a alma ao vibrar,
  Que eu corto as roças de milho
  Por este sinuoso trilho
  Que a minha terra vai dar.
 
   Ninhos... flores... que tesouro!
   Que alegria vegetal!
   À luz do sol quente e louro,
   Com seus penachos cor de ouro,
 _Como é lindo o milharal!
 
   Abelhas,asas espertas,
   Num revoejo zumbidor,
   Pousam trêfegas, incertas,
   Pelas corolas abertas
   Das parasitas em flor!
 
   Na mata, de quando em quando,
   Soa o trilar dos nambus.
   Os pitassilgos em bando,
   As frondes sonorizando,
   Gorgeiam em plena luz.
 
    Aqui, nesta boa roça,
    São todos amigos meus.
    Por isso a cada choça,
    Toda a gente se alvoroça
    Para vir dizer-me adeus!
 
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Bárbara bela

        Bárbara bela,
        do Norte estrela,
        que o meu destino
         sabe guiar;
        De ti ausente,
        Triste somente
        As horas passo
        A suspirar.
 
   Por entre as penhas
  De incultas brenchas
  Cansa-me a vista
  De te buscar;
  Porém não vejo
  Mais que o desejo
  Sem esperança
  De te encontrar.
 
       Eu bem queria
       A noite e o dia
       Sempre contigo
        Poder passar;
       Mas orgulhosa
        Sorte, invejosa
        Desta fortuna
        Me quer privar.
 
   Tu, entre os braços,
   Ternos abraços
   Da filha amada
   Podes gozar;
   Priva-me a estrela
   De ti e dela:
   Busca dois modos
    De me matar!
 
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cantiga

                            La-lá-la-ri-la-lá-lá-lá.
                Já não se escutam rumores:
                a noite não tarda a vir.
               Vamos embalar as flores?
               As flores querem dormir!...
                        
                           La-lá-la-ri-la-lá-lá-lá.
              Cravos e lírios e rosas
               Ao vento brando
              De outono,
              Cravos e lírios e rosas
               vão se fechando
               de sono.
 
                           La-lá-la-ri-la-lá-lá-lá.
               Vamos embalar as flores?
               As flores querem dormir!...
              Já não se escutam rumores:
              a noite não tarda a vir!
 
                           La-lá-la-ri-la-lá-lá-lá.
 
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O cão

         O cão
         que faz ão, ão, ão,
         é bom amigo como os que são.
 
          que o diga o ceguinho
           se ele é, ou não!
 
           nunca viram passar pelo caminho
            um ceguinho
             levando pela mão
              o seu cão?
 
              que seria do cego, coitadinho,
               sem o seu guia, sem o carinho
               daquela dedicação?
 
                e o ceguinho caminha e não tropeça
                porque os seus olhos vão
                abertos na cabeça
                 do seu cão...
 
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O enterro da cigarra

       As formigas levavam-na... chovia...
       Era o fim... triste outono fumarento!
       Perto, uma fonte, em suave movimento,
       Cantigas de água trêmula carpia.
 
                     Quando eu conheci, ela trazia
                     Na voz um triste e doloroso acento.
                     Era a cigarra de maior talento,
                     Mais cantadeira desta freguesia.
 
                              Passa o cortejo entre árvores amigas...
                              Que tristezas nas folhas... Que tristeza!
                              Que alegria nos olhos das formigas!...
 
                                       Pobre cigarra! Quando te levavam,
                                       Enquanto te chorava a natureza,
                                       Tuas irmãs e tua mãe cantavam...
 
 
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O Fim

      Chegou a hora da minha partida, Mãe; eu já vou partir.
      Quando na escuridão esmaecente da aurora solitária estenderes os
braços para tua filhinha na cama, eu direi: "A filhinha não está lá" _ Mãe,
eu já vou partir.
      Tornar-me-ei uma suave aragem e te acariciei; serei onda na água em
que banhares, e te beijarei, e te beijarei.
      Nas noites tempestuosas, quando a chuva tamborilar nas folhas, ouvi-
ras meu sussurro em tua cama e pela janela aberta o meu riso entrará, bri-
lhando como o relâmpago, no teu quarto.
      Se estiveres acordada, pensando em tua filhinha até tarde da noite,
cantarei para ti lá das estrelas: "Dorme Mãe, dorme".
      Nos raios perdidos da lua eu entrarei furtivamente por cima da tua ca-
ma e pousarei sobre teu peito enquanto dormires.
      Tornar-me-ei um sonho e por entre tuas pálpebras deslizarei até ás
profundezas do teu sonho; e quando acordares e olhares em torno, espan-
tada, eu voarei e desaparecerei dentro da treva como um pirilampo que
brilha e se apaga.
     Quando, nos grandes festejos de puja, as crianças dos vizinhos vierem
brincar em volta da casa, eu me dissolverei na música da flauta e palpitarei
em teu coração o dia inteiro.
     A querida titia virá com presentes de puja e perguntará:
    - "Onde está a nossa filhinha, irmã?"
    Mãe, tu lhe responderá baixinho: "Está nas pupilas dos
meus olhos, está no meu corpo e na minha alma".
 
 
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